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Passagem de guarda vale quantos pontos no Jiu-Jitsu? (e os 4 erros que anulam a pontuação)

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Atleta trabalhando a passagem de guarda sobre a guarda da adversária durante treino de Jiu-Jitsu com kimono. Foto de Eduard Perez via Pexels.

A passagem de guarda vale 3 pontos no Jiu-Jitsu com kimono, pelo Livro de Regras IBJJF/CBJJ vigente em 2026 (versão 6.1, de junho de 2024). Os pontos saem quando o atleta que está por cima transpõe as pernas do adversário, guarda ou meia-guarda, e mantém o controle transversal ou longitudinal sobre ele, que precisa estar de costas ou de lado no solo, por 3 segundos. Transpor as pernas não pontua. Transpor e segurar pontua. É por isso que a maioria das passagens que “todo mundo viu” termina sem marcação nenhuma no placar.

O que você vai ver neste post

A tabela de pontos em volta da passagem

A passagem não vive sozinha no placar. Ela é a peça do meio: vem depois da queda, abre caminho para o joelho na barriga, para a montada e para as costas. Quem entende a tabela inteira entende por que a passagem vale exatamente o que vale.

Posição Pontos Artigo do regulamento
Montada e montada pelas costas 4 4.4
Pegada pelas costas 4 4.5
Passagem de guarda 3 4.2
Queda 2 4.1
Raspagem 2 4.6
Joelho na barriga 2 4.3

Repare na lógica por trás dos números. A passagem vale mais que a queda e mais que a raspagem porque resolve o problema mais difícil do Jiu-Jitsu esportivo: as pernas do adversário. Ela vale menos que a montada e que as costas porque ainda não é posição de finalização, é a porta de entrada delas. Se quiser a tabela completa com todas as posições, a regra de vantagem e os critérios de desempate, está tudo no nosso guia sobre pontuação no Jiu-Jitsu pelas regras CBJJ e IBJJF.

A regra dos 3 segundos e o que conta como consolidar

O artigo 3.1 do livro de regras abre com a frase que governa todo o resto: os pontos serão assinalados sempre que o atleta estabilizar por 3 segundos a posição conquistada. Não existe ponto por passar. Existe ponto por passar e ficar.

Para a passagem especificamente, o artigo 4.2 detalha o que precisa estar de pé ao mesmo tempo durante esses 3 segundos:

  1. Você está por cima. A regra descreve a posição do atleta que está em cima transpondo as pernas de quem está embaixo. Passagem invertida, vindo de baixo, não existe nesse artigo.
  2. As pernas do adversário ficaram para trás. Guarda ou meia-guarda, as duas contam como transposição, e esse detalhe engana muita gente. Voltaremos a ele.
  3. O controle é transversal ou longitudinal. Cem quilos, cem quilos invertido, norte-sul. Fora dessas duas famílias de controle, não é passagem consolidada.
  4. O adversário está de costas ou de lado no solo. Se ele está de quatro apoios, de barriga para baixo ou sentado, a exigência da regra não foi cumprida.
  5. Nada disso se desfaz por 3 segundos inteiros. Um segundo e meio de cem quilos antes de ele recompor não vale nada em pontos. Vale vantagem, quando o árbitro entender que você chegou perto.

O terceiro e o quarto item são os que mais custam ponto no campeonato. O atleta passa, mas o adversário nunca chega a ficar de costas ou de lado: ele gira para o quatro apoios no meio do caminho, sai de tartaruga e o árbitro fica com a mão parada. Tecnicamente você passou. Pela regra, não houve passagem consolidada.

Os 4 erros que fazem o árbitro não dar os 3 pontos

Aqui está a pergunta que traz a maioria das pessoas até este texto. Ninguém pesquisa “passagem de guarda quantos pontos” só para saber que são três. Pesquisa porque passou, olhou para o placar e não viu nada aparecer. Estes são os quatro casos previstos no regulamento, e todos eles têm nome e número de artigo.

Erro 1: passar direto para a imobilização lateral depois da dupla puxada

Quando os dois atletas puxam para a guarda ao mesmo tempo, o artigo 3.5 diz que o atleta que for para cima primeiro recebe uma vantagem. A observação logo abaixo é a que dói: se esse atleta subir direto para a imobilização lateral, ele não recebe pontos nem vantagem pela passagem de guarda.

A lógica da regra é simples e vale entender, não decorar. Não existiu guarda montada para ser transposta. Ninguém chegou a estabelecer um enquadramento com as pernas contra você. Sem guarda, não há passagem, e sem passagem não há os 3 pontos, por mais que a posição final no chão pareça idêntica à de uma passagem legítima.

Erro 2: cair por baixo durante um ataque e não usar as pernas

Este está no artigo 4.2 e é o mais contraintuitivo de todos, porque beneficia quem parecia estar perdendo. Se, durante um ataque por cima, uma chave de braço por exemplo, você acaba caindo por baixo e não usa as pernas para impedir o adversário de chegar ao controle lateral, o regulamento é explícito: não devem ser atribuídos pontos nem vantagem pela passagem de guarda.

De novo, é a definição de guarda que decide. A observação 1 do artigo 4.2 define guarda como o uso de uma ou das duas pernas para impedir que o adversário atinja o controle transversal ou longitudinal. Se as suas pernas não estavam fazendo esse trabalho, você não estava na guarda. E não se passa uma guarda que nunca existiu.

Erro 3: passar enquanto está preso em uma finalização

O artigo 3.3 é o que mais aparece em final de campeonato. O atleta que chega a posições de pontuação estando sob ataque de uma finalização só terá os pontos assinalados quando se livrar do ataque e estabilizar a posição por 3 segundos. A contagem dos 3 segundos, aliás, é interrompida no instante em que o adversário encaixa a finalização.

O desdobramento pesado está no 3.3.3: quem atravessa uma ou várias posições de pontuação sob ataque de finalização e não se livra até o fim da luta recebe apenas uma vantagem. Uma. Não uma por posição. Você pode passar, montar e pegar as costas com um triângulo pendurado no pescoço e terminar a luta com um único ponto de vantagem no placar enquanto o adversário comemora. E o 3.3.1 vai além: se você só escapa da finalização depois de já não estar mais naquelas posições, não recebe nem pontos nem vantagens por elas.

Erro 4: abandonar a posição para passar de novo

O artigo 3.2 fecha a porta da reciclagem de pontos. A luta deve seguir uma sequência crescente de domínio técnico em direção à finalização. Por isso, o atleta que voluntariamente abandona uma posição pela qual já recebeu pontos, para repeti-la em busca de nova pontuação, não terá os novos pontos assinalados.

Passar, soltar de propósito, deixar recompor e passar de novo não faz 6 pontos. Faz 3. Vale a pena separar duas situações que parecem iguais: se o adversário recompõe a guarda por mérito dele, a passagem seguinte é uma passagem nova e pontua normalmente. O que a regra pune é o abandono voluntário para farmar placar.

Antes de seguir, um teste rápido de honestidade com o seu próprio jogo: você sabe dizer, sem pensar muito, quais são as duas passagens que você realmente usa em uma luta dura, e o que costuma acontecer depois de cada uma? No editor visual do GamePlan BJJ você desenha essa sequência como um fluxograma, com a passagem de um lado e a reação mais provável do adversário do outro. Ver o desenho pronto costuma responder essa pergunta melhor do que a memória.

Passagem, meia-guarda e a linha que separa as duas

Essa é a dúvida técnica mais frequente do tema, e a resposta oficial contraria o que se ouve muito no tatame.

Passar a meia-guarda vale os mesmos 3 pontos. O artigo 4.2 trata guarda e meia-guarda no mesmo parágrafo: transpor as pernas do adversário, “transpor a guarda ou meia-guarda”, com controle transversal ou longitudinal por 3 segundos. Não existe pontuação reduzida por ter vindo da meia. Passou, estabilizou, são 3.

O que muda é o que acontece antes de completar. A meia-guarda tem regras próprias de vantagem, e elas são fáceis de confundir:

  • Quem, partindo da guarda ou de uma puxada, alcança o controle de meia-guarda por cima mas não consolida a passagem na sequência, recebe uma vantagem.
  • Se a passagem for completada depois, essa vantagem da meia-guarda deixa de contar. Não se acumula vantagem e ponto pela mesma progressão.
  • Se a posição de meia-guarda não veio de uma tentativa de passagem, ela não gera vantagem nenhuma. Cair na meia por acaso não é começo de passagem.

Vale ainda registrar a definição oficial de meia-guarda, porque ela é mais estreita do que o uso comum da palavra: é a guarda em que o atleta de baixo está deitado de costas ou de lado e aprisiona apenas uma das pernas do adversário que está por cima. Duas pernas presas não é meia-guarda, é guarda. Nenhuma perna presa não é guarda coisa nenhuma, e volta ao erro 1.

A sequência que soma mais: passagem mais montada dá 7 pontos

Agora a parte boa da regra, a que trabalha a favor de quem sabe encadear. O artigo 3.4 permite pontos cumulativos quando o atleta evolui a movimentação através de várias posições de pontuação, desde que o domínio de 3 segundos da última posição represente também o domínio das anteriores. Nesse caso, o árbitro conta apenas 3 segundos ao final da sequência.

O próprio regulamento dá o exemplo com todas as letras: passagem seguida de montada soma 7 pontos, 3 mais 4.

Leia de novo o que isso significa na prática, porque é uma economia de tempo enorme dentro da luta. Você não precisa segurar 3 segundos na passagem, soltar, montar e segurar mais 3. Você passa, sobe para a montada e segura 3 segundos lá em cima. Uma contagem só, 7 pontos no placar. Em uma luta de 5 minutos com um adversário duro, essa diferença é a diferença entre construir uma vantagem e ficar preso administrando uma.

Dá para ir além. Passagem, montada e depois as costas, mantida a progressão de domínio, soma 11. E o artigo 4.4.1 traz um detalhe que quase ninguém usa: montada e montada pelas costas são posições distintas para a regra, então a transição direta de uma para a outra vale 4 mais 4, desde que os 3 segundos de estabilização sejam cumpridos em cada uma.

Uma advertência importante para não ler a regra torto: a soma acontece quando a progressão é contínua e crescente. Passar, perder a posição, voltar para a guarda dele e passar de novo não entra nesse cálculo. Isso são dois eventos separados, e o segundo ainda pode esbarrar no artigo 3.2 se a saída tiver sido voluntária.

Como treinar sabendo o que o árbitro está olhando

Todo esse regulamento se resume, para quem está no tatame, a uma mudança pequena de foco. O árbitro não está olhando para a sua passagem. Ele está olhando para os 3 segundos depois dela.

Isso muda o que vale a pena treinar. Não é só a entrada, o toreando, o knee cut, o over under, que estão detalhados um a um no guia sobre os 8 tipos de passagem de guarda e quando usar cada um. É a transição entre passar e travar: onde a sua cabeça vai, onde o seu peso cai, qual pegada mata a recomposição, quanto tempo você aguenta antes de correr para a montada cedo demais. Quem só treina a entrada acumula vantagens. Quem treina a consolidação acumula pontos.

E é aí que a diferença de faixa aparece. O faixa branca precisa entender a regra para parar de achar que foi roubado. O faixa azul precisa entender para escolher onde parar. O roxo e o marrom já sabem tudo isso e continuam perdendo ponto pelo motivo de sempre: não têm clareza sobre a própria sequência, porque ela nunca saiu da cabeça para o papel.

Esse trabalho continua sendo do professor e do tatame, e não existe atalho para nenhum dos dois. O que dá para fazer é chegar na aula com a pergunta certa em vez de chegar com a sensação vaga de que “trava sempre no mesmo lugar”. No GamePlan BJJ, você monta o seu jogo como um fluxograma de decisões, encadeia passagem, estabilização e montada como um caminho só, e usa as sugestões táticas com IA para mapear a reação mais provável do adversário em cada nó do seu fluxograma. O desenho não substitui o treino. Ele mostra onde o treino precisa acontecer.

Se você ainda não sabe se o seu jogo pede uma passagem de pressão ou uma passagem de velocidade, comece pelo diagnóstico: o texto sobre guardeiro ou passador e como descobrir seu estilo resolve essa parte antes de você escolher qual passagem vai virar a sua.

Perguntas frequentes

Passagem de guarda vale quantos pontos?
A passagem de guarda vale 3 pontos, pelo artigo 4.2 do Livro de Regras IBJJF/CBJJ. Os pontos são marcados quando o atleta por cima transpõe as pernas do adversário e mantém o controle transversal ou longitudinal, com o oponente de costas ou de lado, por 3 segundos.

Passar a meia-guarda vale 3 pontos também?
Sim. O regulamento trata guarda e meia-guarda no mesmo artigo, e a passagem consolidada vale 3 pontos nos dois casos. A diferença é que alcançar o controle de meia-guarda sem completar a passagem gera apenas uma vantagem, e essa vantagem deixa de contar se a passagem for completada depois.

Raspagem vale quantos pontos no Jiu-Jitsu?
A raspagem vale 2 pontos. Ela é marcada quando o atleta que está por baixo, com o adversário na sua guarda ou meia-guarda, inverte a posição e mantém o oponente por baixo por 3 segundos. Inversão que não parte da guarda não é raspagem para a regra.

Joelho na barriga vale quantos pontos?
O joelho na barriga vale 2 pontos. É preciso estar livre da guarda, apoiar o joelho ou a canela da perna mais próxima do quadril do adversário sobre a barriga, o peito ou as costelas dele, e manter 3 segundos sem encostar o joelho oposto no chão. Encostou o joelho no chão, vira vantagem.

Quantos pontos valem passagem e montada juntas?
Passagem seguida de montada soma 7 pontos, 3 mais 4. O exemplo é do próprio artigo 3.4 do regulamento. Quando a progressão é contínua, o árbitro conta uma única vez os 3 segundos, ao final da sequência, em vez de exigir 3 segundos em cada posição.

Última atualização: 21 de agosto de 2026. Números conferidos no Livro de Regras IBJJF/CBJJ versão 6.1, de junho de 2024, disponível em cbjj.com.br.

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