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Passagem de guarda no Jiu-Jitsu: os 8 tipos principais e quando usar cada um

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Atleta pressionando por cima na passagem de guarda no jiu-jitsu durante treino de kimono. Foto de Eduard Perez via Pexels

Passar a guarda é transpor as pernas do adversário e chegar ao controle transversal ou longitudinal, segurando a posição por 3 segundos. Pelo regulamento oficial, isso vale 3 pontos. As oito passagens que cobrem a maior parte do jogo de cima são toreando, knee cut, over under, emborcada, arrastão, crazy dog, X-pass e passagem da meia-guarda. A escolha entre elas não é preferência pessoal, é resposta: cada guarda que o adversário monta fecha algumas portas e abre outras.

Este guia separa as oito por nome, por guarda-alvo e por estilo, e acrescenta em cada uma o campo que quase nenhum material traz: a reação mais provável do adversário. Saber a técnica é metade. A outra metade é saber o que vem depois dela, porque é ali que a maioria das passagens morre. Tudo o que envolve pontuação foi conferido no Manual de Regras da IBJJF e da CBJJ em português, versão 6.1 de junho de 2024. Última atualização: 8 de agosto de 2026.

O que você vai ver neste post

A tabela das oito passagens

Antes dos detalhes, o mapa. A coluna “pressão ou velocidade” é a que mais importa na hora de montar repertório: a passagem que resolve o guardeiro pesado que fica de costas no chão não é a mesma que resolve o guardeiro elástico que senta e busca a pegada.

Passagem Funciona melhor contra Quando costuma entrar no repertório Pressão ou velocidade
Toreando Guarda aberta sentada, De la Riva, aranha Faixa branca Velocidade
Knee cut Meia-guarda, guarda aberta com a perna na frente Faixa branca Pressão
Over under Guarda aberta com o adversário de costas no chão Faixa azul Pressão
Emborcada Guarda fechada recém-aberta, quadril próximo Faixa branca Pressão
Arrastão De la Riva, guarda X, pé no bíceps Faixa azul Velocidade que vira pressão
Crazy dog Meia-guarda com escudo de joelho Faixa azul Pressão
X-pass Guarda aberta com os dois pés em você Faixa branca Velocidade
Passagem da meia-guarda Meia-guarda e meia-guarda profunda Todas as faixas Pressão

Uma observação de regra muda como você lê essa tabela: o regulamento define guarda pelo uso de uma ou das duas pernas para impedir o controle transversal ou longitudinal. Transpor a meia-guarda pontua igual a transpor a guarda completa, e transpor pernas que não estão te impedindo de nada não pontua. O detalhamento do que valida e do que anula a marcação está em passagem de guarda vale quantos pontos.

Passagem toreando

O toreando (também escrito toureando) é a primeira passagem de velocidade que quase todo mundo aprende, e continua sendo usada em final de mundial. Serve contra guarda aberta sentada, De la Riva e guarda aranha depois que as pegadas caem.

Dois detalhes decidem se ela funciona. O primeiro é onde você segura: as duas mãos na calça, na altura dos joelhos, com os braços esticados e os cotovelos travados. Segurar no tornozelo encurta a alavanca e devolve o quadril para o adversário. O segundo é que a passagem acontece com os pés, não com os braços. Você joga as duas pernas dele para um lado e anda para o lado oposto, e o peito desce assim que você cruza a linha dos joelhos.

O erro comum é passar largo, correndo em volta das pernas sem baixar o quadril e o peito. Fica bonito e o adversário recompõe no meio do caminho. A reação mais provável do adversário é uma de duas: inverter por baixo para recuperar a guarda, ou virar de quatro e buscar a tartaruga. Quem treina só a entrada trava toda vez que o outro reage, e reagir é o que ele sempre vai fazer.

Passagem knee cut

A knee cut, ou passagem cortando o joelho, é a passagem de pressão mais universal do jiu-jitsu moderno. Ela resolve meia-guarda e resolve guarda aberta quando o adversário deixa uma perna à sua frente.

O primeiro detalhe é o mais ignorado: a knee cut não começa no joelho, começa no braço. Sem o underhook do lado de fora ou sem uma pegada na lapela que mate o quadro do adversário, cortar o joelho vira uma corrida em que ele chega antes. O segundo detalhe é a diagonal. O joelho desliza sobre a coxa em direção ao ombro oposto, e o peso do seu tronco vai junto, não fica para trás.

O erro comum é cortar cedo, antes de matar o escudo de joelho. Aí a canela dele entra no seu quadril e você fica preso na metade, ajoelhado dentro da meia-guarda. A reação mais provável do adversário é buscar o underhook do lado de fora e subir no single leg, ou reinserir o escudo de joelho. As duas têm resposta pronta: no primeiro caso, você troca de lado ou passa a mão para o over under; no segundo, você desce a pressão e migra para o crazy dog.

Passagem over under

O over under é a passagem de quem decide a luta no cansaço do outro. Funciona melhor quando o adversário está de costas no chão, quadril baixo, jogando guarda aberta sem sentar.

O nome descreve a mecânica. Um braço passa por baixo de uma coxa e o outro por cima da outra, com pegada na calça ou na faixa. A cabeça vai para o lado do braço de baixo, colada no quadril do adversário, e é ela que impede a recomposição. O segundo detalhe é a caminhada: você passa andando para esse mesmo lado, empurrando o joelho daquela perna em direção ao chão, sem nunca ficar de frente.

O erro comum é manter o quadril alto e o peito longe. O over under é posição de peso, não de alavanca: se sobra espaço entre o seu peito e a coxa dele, a canela entra e a posição acaba. A reação mais provável do adversário é encaixar um quadro no seu ombro e mergulhar para a meia-guarda profunda. Não é desastre, é bifurcação conhecida: dali sai pegada de costas mais vezes do que sai raspagem.

Passagem emborcada

Emborcar é passar controlando as duas pernas do adversário sem levantar, empilhando os joelhos dele em direção ao próprio rosto. É uma das passagens mais antigas do jiu-jitsu e continua funcionando igual. Serve logo depois de abrir a guarda fechada e contra guarda aberta quando o quadril dele está perto de você.

Os dois detalhes são postura e direção. Postura: você sobe nas pontas dos pés e caminha para a frente, de forma que o peso venha do seu corpo empilhado, não da força dos braços. Braço dobrado emborcando é receita de lombar detonada. Direção: você sai para o lado oposto ao que os ombros dele apontam, nunca pelo meio.

O erro comum é emborcar pelo centro, com o adversário confortável e alinhado. É exatamente o ângulo em que ele te dá a omoplata ou o triângulo. Vale um aviso que não é técnico: emborcada é pressão em cima do pescoço do seu companheiro de treino. No treino, ela se ajusta, se comunica e se solta. A reação mais provável do adversário é girar o quadril para sair pela lateral, e a resposta é acompanhar o giro em vez de insistir na pressão frontal.

Passagem arrastão

O arrastão, também chamado de leg drag, é a passagem que domesticou as guardas modernas. Contra De la Riva, contra guarda X e contra qualquer guarda em que o adversário coloca o pé no seu quadril ou no seu bíceps, é a resposta mais direta.

O primeiro detalhe é que arrastar não é o objetivo, é o meio. Você puxa a perna dele atravessada na sua linha de centro e cola o seu quadril na parte de fora da coxa dele, no chão. É esse encaixe que mata a rotação, não a força do puxão. O segundo detalhe é a pegada longe: faixa, lapela ou calça do lado oposto. Sem ela, sobra a inversão.

O erro comum é ficar de frente atrás da perna arrastada, sem colar o quadril: o espaço que sobra é exatamente o que ele precisa. A reação mais provável do adversário é inverter por baixo, rolando para recuperar a guarda, e quem tem essa reação mapeada não trata a inversão como problema: trata como entrada de costas.

Repare no padrão: toda passagem tem uma resposta esperada, e a resposta esperada tem um caminho. É isso que separa quem tem repertório de quem tem coleção de técnicas soltas. O editor visual do GamePlan BJJ existe para isso: você desenha a passagem, a reação provável e a sua saída para cada uma, e no modo narrativa treina a decisão antes de precisar dela no round.

Passagem crazy dog

A crazy dog é mais conhecida pelo uso do que pelo nome: é a preferida de quem passa meia-guarda com escudo de joelho e de muito faixa-preta veterano que já não quer disputar velocidade com azul de 22 anos.

O detalhe que define a posição é a pegada cruzada: com um braço só, você controla as duas pernas do adversário, o que deixa o outro braço livre para controlar a postura e neutralizar os quadros dele. É isso que a separa de uma pressão genérica de meia-guarda. O segundo detalhe é a altura: peito baixo sobre as pernas, cabeça perto do chão, quadril empurrando para a frente. A passagem termina com a caminhada do quadril, não com o braço.

A reação mais provável do adversário é tentar recompor com a perna de cima, e a resposta clássica é fechar no leg weave. A segunda é virar de quatro para a tartaruga, e aí o caminho é a pegada de costas. Para aprofundar, o sistema de passagem crazy dog de Isaac Doederlein, faixa-preta de Rubens Cobrinha, cobre a posição inteira.

Passagem X-pass

O X-pass é o primo veloz do toreando, e resolve o guardeiro sentado que mantém os dois pés em você. O nome vem do desenho: você empurra uma perna dele por cima da outra e cruza as duas, formando um X.

O primeiro detalhe é que o X existe por um instante. Cruzar as pernas desliga por um segundo a capacidade dele de usar a perna de baixo, e é dentro desse segundo que a passagem acontece. O segundo é a direção do passo: você sai pelo lado de fora da perna que ficou por cima e desce o ombro assim que cruza a linha do quadril.

O erro comum é empurrar as pernas para um lado e caminhar para o mesmo lado, entrando de novo na frente da guarda. A reação mais provável do adversário é liberar a perna de baixo e sentar de novo, o que vira uma disputa de repetição em que quem cansa primeiro decide. Por isso o X-pass costuma ser encadeado com o toreando, não usado sozinho.

Passagem da meia-guarda

A meia-guarda merece seção própria porque transpor a meia-guarda vale os mesmos 3 pontos e porque é a guarda onde mais luta se decide hoje. Aqui não existe uma técnica, existe uma disputa: a do underhook.

O primeiro detalhe é reconhecer isso. Quem consegue o underhook do lado de fora dita o que vem a seguir. Se é você, o caminho é a knee cut, a esgrima ou a crazy dog. Se é ele, a sua prioridade deixa de ser passar e vira recuperar a pegada ou trocar de lado. O segundo detalhe é a perna presa: ela sai por esgrima, cruzando o pé livre por cima, ou pelo corte de joelho, quase nunca por força.

O erro comum é insistir em arrancar a perna presa enquanto o adversário tem o underhook e o escudo de joelho encaixados. A reação mais provável do adversário é mergulhar para a meia-guarda profunda ou subir no single leg, as duas reações que mais tiram passador de cima em campeonato.

Como escolher a passagem certa contra cada guarda

A escolha começa por uma pergunta que quase ninguém faz em voz alta: qual guarda ele monta quando está confortável? Passar guarda é responder a um plano que já existia antes de você chegar. Se ainda não sabe qual é o seu lado nessa disputa, o texto sobre guardeiro ou passador ajuda a nomear o que já acontece nos seus rounds.

Guarda do adversário Passagens que mais funcionam Por quê
Guarda fechada Nenhuma, primeiro se abre Não existe passagem de guarda fechada, existe abertura e depois passagem
Guarda aberta sentada Toreando, X-pass Ele precisa dos dois pés em você, e velocidade tira os dois de uma vez
De la Riva Arrastão, toreando O gancho morre quando a perna atravessa a linha de centro
Aranha e laçada Quebra de pegada, depois toreando ou knee cut Enquanto as mangas estiverem presas, nenhuma passagem começa
Meia-guarda Knee cut, crazy dog, over under A disputa é de underhook e de pressão, não de espaço
Escudo de joelho Crazy dog, over under Precisa de uma passagem que controle as duas pernas com pouco espaço
Guardeiro deitado de costas Over under, emborcada Quadril baixo pede peso, não velocidade

Passar em pé ou de joelhos

A busca por “passagem de guarda em pé” costuma esconder outra pergunta: por que eu apanho tanto de joelhos? De joelhos, o seu quadril está dentro do alcance dos ganchos, dos pés e das pegadas de perna do adversário. Em pé, você tira o quadril desse alcance e devolve a ele o trabalho de te alcançar.

Isso não faz da passagem em pé a melhor opção sempre. Em pé você fica mais exposto a raspagens de perna e a entradas de pegada de tornozelo, e perde a pressão que ganha uma luta contra guardeiro paciente. A distinção útil é outra: guarda fechada se abre em pé, com postura, quase sempre. Guarda aberta se passa em pé quando o adversário é móvel e de joelhos quando ele já está achatado. Toreando, X-pass e arrastão nascem em pé. Over under, emborcada e crazy dog nascem no chão.

Nenhum desses parágrafos substitui a aula. Ver o nome da passagem escrito não coloca ela no seu jogo: quem corrige o seu ângulo de joelho, a sua pegada e o seu tempo é o professor, no tatame, com você errando na frente dele. O mapa é complementar, e mostra onde o jogo trava e para qual reação do adversário você ainda não tem resposta.

O GamePlan BJJ tem catálogo por faixa e templates de campeões, para importar um jogo de passagem inteiro e adaptar ao seu, além de sugestões táticas por IA que apontam os buracos do fluxo. Dá para ver os planos e montar o seu primeiro fluxo e levar as dúvidas para o próximo treino.

Perguntas frequentes

Passagem de guarda vale quantos pontos?
Passagem de guarda vale 3 pontos pelo regulamento da IBJJF e da CBJJ. Para marcar, é preciso transpor as pernas do adversário (guarda ou meia-guarda) e manter o controle transversal ou longitudinal por 3 segundos. Se ele não estiver usando as pernas para impedir esse controle, não há guarda nem pontuação. O detalhamento aparece no guia de pontuação no jiu-jitsu.

Qual a melhor passagem de guarda para faixa branca?
Toreando e knee cut. Uma de velocidade e uma de pressão, as duas com pouca exigência de flexibilidade e com aplicação imediata nas guardas que aparecem nos primeiros meses. Aprender as duas em paralelo ensina cedo a diferença entre tirar o quadril do alcance e ocupar o espaço com peso.

Como passar a guarda fechada?
Não se passa a guarda fechada, se abre. A sequência padrão é recuperar a postura, sentar sobre os calcanhares com uma mão no quadril ou na faixa, levantar em pé com a coluna alinhada e abrir os pés dele com pressão de joelho ou de cotovelo. Só depois entra a passagem, em geral toreando, emborcada ou knee cut.

Como passar a guarda De la Riva?
O caminho mais direto é o arrastão. O gancho de De la Riva depende da rotação do quadril do adversário, e a perna atravessada na sua linha de centro, com o seu quadril colado do lado de fora da coxa dele, elimina essa rotação. O toreando também funciona, desde que a pegada suba para a altura dos joelhos e o gancho saia antes do primeiro passo.

É melhor passar a guarda em pé ou de joelhos?
Depende da guarda do adversário. Em pé você tira o quadril do alcance dos ganchos e das pegadas de perna, o que é vantagem contra guardeiro móvel e praticamente obrigatório para abrir a guarda fechada. De joelhos você ganha pressão, o que rende mais contra quem já está achatado de costas. Um repertório completo tem passagem dos dois tipos.

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