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Técnicas de Jiu-Jitsu para faixa branca: as 20 que você precisa dominar antes da azul

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Praticante amarrando a faixa branca de jiu jitsu sobre o kimono antes do treino. Foto de Mica Bassa via Pexels.

As técnicas de jiu-jitsu que um faixa branca precisa dominar antes da azul cabem em cinco grupos e vinte movimentos: 5 fugas (upa, fuga de quadril, recomposição do cem quilos, fuga das costas e fuga do joelho na barriga), 4 posições de controle (guarda fechada, cem quilos, montada e costas com ganchos), 4 raspagens (tesoura, quadril, gancho e tripé), 3 passagens (toureada, corte de joelho e passagem por baixo) e 4 finalizações (armlock, triângulo, americana e mata-leão). O que separa quem evolui de quem trava não é o tamanho dessa lista, é a ligação entre os itens dela: cada técnica precisa ter uma entrada conhecida e pelo menos uma saída quando falha.

Este guia agrupa as vinte por função e fecha mostrando como encadeá-las. As restrições de competição foram conferidas no pôster oficial de golpes proibidos da CBJJ/IBJJF, versão 4.0, e no Sistema Geral de Graduação da IBJJF. Última atualização: 8 de agosto de 2026.

O que você vai ver neste post

Por que começar pela defesa

Repare no que acontece num treino comum de faixa branca. O aluno aprende uma raspagem nova, faz vinte repetições e vai para o rola. No rola ele não usa a raspagem uma única vez, porque passa os cinco minutos embaixo do cem quilos tentando respirar. A técnica do dia era boa. Só não teve chance de existir.

Esse é o gargalo real do primeiro ano. Ofensiva só entra em jogo depois que você sobrevive, e sobreviver é uma habilidade separada, que quase ninguém treina de propósito. Quem sabe sair de quatro posições ruins ganha o que nenhuma finalização dá: tempo de rola. E é no tempo de rola que todo o resto é aprendido.

Há uma vantagem estrutural nisso. Fuga é a técnica mais transferível que existe: a fuga de quadril que te tira do cem quilos é o mesmo movimento que recompõe a meia guarda e que gera o espaço da raspagem de tripé. Você não aprende uma saída, aprende o motor que move quase tudo por baixo. Daí a ordem deste artigo: primeiro não morrer, depois segurar, depois inverter, depois passar, depois finalizar. É a ordem em que as coisas acontecem numa luta, e também a ordem em que o sistema de pontuação do jiu-jitsu recompensa a progressão de domínio.

As 20 técnicas em uma tabela

Função Técnicas
Fugas (5) Upa (ponte e rolamento), fuga de quadril, recomposição de guarda a partir do cem quilos, fuga das costas, fuga do joelho na barriga
Controle (4) Guarda fechada, cem quilos, montada, costas com ganchos
Raspagens (4) Raspagem de tesoura, raspagem de quadril, raspagem de gancho, raspagem de tripé
Passagens (3) Toureada, corte de joelho, passagem por baixo (duplo)
Finalizações (4) Armlock, triângulo, americana, mata-leão

Vinte nomes é pouco, e é de propósito. Um praticante de dois anos já viu bem mais que isso. A questão nunca foi quantidade, e sim quantas dessas você executa em alguém que resiste de verdade, na hora certa, sem pensar. Vinte técnicas confiáveis derrotam cem técnicas conhecidas.

As 5 fugas obrigatórias

Estas cinco cobrem as quatro piores posições que você vai visitar no primeiro ano, mais o joelho na barriga, que é o que separa o faixa branca que aguenta pressão do que desiste da guarda.

  1. Upa (ponte e rolamento). A saída de montada quando o adversário sobe muito o peso ou avança as mãos. Trava um braço e a perna do mesmo lado, ponteia forte com o quadril na diagonal e reaparece dentro da guarda dele. Detalhe que decide: a ponte é diagonal, não vertical. Quem sobe reto empurra o adversário para a própria cabeça e ele reassenta.
  2. Fuga de quadril (joelho e cotovelo). A resposta quando a upa não funciona porque ele baseou os braços. Frame do cotovelo contra o joelho dele, quadril desloca para o lado, joelho entra no espaço aberto e recompõe meia guarda. Upa e fuga de quadril são um par: cada uma existe para o momento em que a outra é defendida.
  3. Recomposição de guarda a partir do cem quilos. A fuga que você mais vai usar na vida. Dois frames (antebraço no pescoço, mão no quadril), quadril fora da linha de pressão, joelho entra. Não é força, é sequência. E não precisa terminar em guarda fechada: meia guarda já é vitória.
  4. Fuga das costas. Primeiro sobrevivência, depois posição. Mãos na gola dele para matar o estrangulamento, cabeça de um lado, ombro deslizando para o tatame do lado onde o braço dele está por cima. Você não sai das costas, você desce para o cem quilos, e sair do cem quilos você já sabe.
  5. Fuga do joelho na barriga. A pressão que mais faz gente entregar posição. Empurra o joelho dele com as duas mãos e gira o quadril para o lado, ou vira de quatro se ele já estiver pesado demais. Aguentar aqui evita os 2 pontos e evita o pânico que abre a montada.

Repare que três delas terminam com você embaixo de novo, só que numa posição jogável. Fuga não é sinônimo de escapar, é trocar uma posição sem saída por uma com opções.

As 4 posições de controle que sustentam todo o resto

Controle é o que transforma uma sequência de sorte em jogo. As quatro abaixo são as que sustentam praticamente todo o repertório ofensivo da faixa branca à azul.

A guarda fechada é a sua base por baixo. Não é posição de descanso, é posição de trabalho: quebrar a postura dele é o que abre raspagem, armlock e triângulo. Quem só fecha as pernas e espera não tem guarda fechada, tem abraço.

O cem quilos é a primeira posição de domínio real por cima, e a mais subestimada. Vale 3 pontos quando se chega nele por passagem, mas o que pesa mais é que quase toda finalização por cima nasce dali. Sustentá-lo com pressão de ombro e joelhos colados é o que ensina a atacar sem pressa.

A montada vale 4 pontos e muda a psicologia da luta. Alta ou baixa, o que a segura é o quadril baixo e os pés enganchados por dentro, não os braços. Braço apoiado no tatame é convite para a upa que você acabou de aprender.

As costas com ganchos são a posição mais dominante do jiu-jitsu e valem 4 pontos quando os calcanhares estão na parte interna das coxas. O detalhe que quase todo faixa branca erra: a prioridade não é o pescoço, é o cinto de segurança (um braço por baixo da axila, outro por cima do ombro). Sem o cinto você é carregado nas costas; com ele, o adversário não vira.

As 4 raspagens de maior retorno

Raspagem vale 2 pontos e resolve o problema mais frequente do iniciante, que é ficar por baixo o rola inteiro. Estas quatro foram escolhidas porque duas duplas cobrem as duas reações possíveis do adversário.

Da guarda fechada, a raspagem de tesoura funciona quando ele está de joelhos com o peso um pouco para trás: canela na barriga dele, gola e manga puxadas na diagonal, pernas cortando em tesoura. Quando ele reage postando as mãos no tatame para não cair, a raspagem de quadril é a resposta imediata, porque você senta, apoia no cotovelo e joga o quadril por cima do braço que ele acabou de plantar. Mesma pegada, mesmo instante, duas saídas opostas. Treinar as duas juntas vale mais que treinar seis raspagens isoladas.

Da guarda aberta, a raspagem de gancho é o padrão com você sentado de frente e os pés por dentro das coxas dele: pega no cinto, elimina uma base com o gancho e carrega para o lado. A raspagem de tripé é a versão para quando ele fica de pé: uma mão no tornozelo, um pé no quadril e o outro pé enganchado atrás do joelho oposto. Ele cai sentado e você levanta.

Repare no padrão: em cada dupla, uma raspagem ataca o adversário parado e a outra ataca a reação dele à primeira. É o formato que faz o repertório crescer sem virar bagunça, e é o tipo de decisão que fica visível quando você desenha seu jogo como fluxograma no editor do GamePlan BJJ: cada técnica vira um nó, cada reação do oponente vira uma seta, e o nó sem seta de saída é o buraco do seu jogo.

As 3 passagens fundamentais

Três passagens bastam porque elas cobrem os três caminhos geométricos possíveis: por fora, pelo meio e por baixo. Tudo o que você vai aprender depois é variação de um dos três.

A toureada passa por fora. Você controla as duas pernas dele pelas calças, joga os joelhos para um lado e circula para o outro, chegando ao cem quilos sem nunca entrar entre as pernas. É a passagem mais segura para quem ainda tem base ruim, porque quase não expõe as costas.

O corte de joelho passa pelo meio. A partir da meia guarda ou de uma guarda aberta baixa, você fatia com o joelho por cima da coxa dele enquanto o underhook impede que ele sente. Exige pressão constante: quem corta rápido demais e sem peso vira as costas para o adversário e é raspado.

A passagem por baixo (duplo) passa por baixo. Você enfia os dois braços sob as pernas dele, junta os joelhos no peito dele e caminha para o lado. É a mais pesada e a que mais castiga guardeiro flexível, e a mais arriscada se a cabeça sair da linha central. Vale lembrar que nem toda passagem que funciona no rola pontua em campeonato: o guia de regras do jiu-jitsu 2026 trata dos 3 segundos de estabilização e dos casos em que a passagem não é marcada.

As 4 finalizações da faixa branca e as que ainda não são permitidas

As quatro escolhidas não são as mais bonitas, são as que nascem direto das posições de controle que você acabou de ver. Armlock e triângulo saem os dois da guarda fechada e formam a dupla mais eficiente do jiu-jitsu: se ele defende o armlock puxando o braço para fora, entrega o triângulo; se defende o triângulo postando, entrega o armlock. A americana sai do cem quilos, com o braço dele no chão a noventa graus e seu ombro travando a cabeça. O mata-leão sai das costas com o cinto de segurança já montado, e funciona tanto justamente porque a posição venceu a luta antes de o estrangulamento existir.

Agora a parte que quase nenhuma lista de técnicas menciona, e que decide inscrição em campeonato. A tabela oficial de golpes restritos da IBJJF, publicada no pôster Golpes Proibidos e distribuída pela CBJJ, organiza 26 técnicas em seis colunas de idade e faixa. A terceira coluna cobre atletas de 16 e 17 anos de todas as faixas e a faixa branca do Adulto ao Master 7. Estes são os golpes que a faixa branca adulta não pode aplicar:

Categoria Técnicas restritas para a faixa branca adulta
Ataques de perna Chave de joelho reta (leg lock), chave de calcanhar, mata-leão no pé, chave de panturrilha, chaves que torçam o joelho, cruzada de perna
Ataques de braço e mão Mão de vaca (chave de punho), chave de bíceps, torcer os dedos para trás
Coluna e pescoço Chave de cervical sem estrangulamento, chave que pressione as costelas ou os rins dentro da guarda fechada
Quedas e projeções Bate estaca, queda-tesoura, suplex que leve o adversário de cabeça ou pescoço ao solo, projetar pela faixa ao defender single leg, single leg com a cabeça para fora do corpo do adversário

Duas leituras contra-intuitivas saem daí. A chave de pé reta é permitida para a faixa branca adulta, e só aparece restrita nas colunas de 4 a 12 e de 13 a 15 anos. Já a mão de vaca é proibida, apesar de ser a chave que mais surge por acidente em rola de iniciante, quando alguém agarra o punho do outro e torce.

Existe ainda uma restrição que não está na tabela e sim em texto próprio: pular para colocar na guarda fechada o adversário que está em pé é falta grave para faixa branca em qualquer idade, e o árbitro reinicia a luta com os dois em pé. Nada disso substitui a palavra do seu professor. O regulamento define o que é permitido; quem define o que você está pronto para usar é quem te vê treinar toda semana.

Como transformar 20 técnicas soltas em um jogo encadeado

Aqui está o ponto que falta em toda lista de vinte técnicas que você já leu. Técnica isolada é aposta: você tenta, e se não der volta à estaca zero. Jogo é outra coisa. Cada técnica tem uma entrada definida e uma saída definida para quando falha, e o adversário não escolhe se você ataca, escolhe qual dos seus dois ataques vai receber.

Veja o que acontece quando você liga as vinte em vez de listá-las. Você está no cem quilos por baixo, aplica a recomposição, chega na guarda fechada. Quebra a postura e tenta a tesoura. Se ele posta as mãos para não cair, você já está na raspagem de quadril, que é a saída da tesoura. Se ele afunda o peso para matar as duas, você tem o armlock. Se puxa o braço, você tem o triângulo. Toda defesa dele é a entrada de outra técnica sua.

O mesmo vale por cima. A tesoura te deixa direto no cem quilos, ponto de partida da americana e da montada. Da montada, quando ele faz a upa, você acompanha o giro e cai nas costas. As costas entregam o mata-leão. Nesse encadeamento não existe nenhuma técnica nova: são as mesmas vinte, ligadas por reação previsível.

Escrever essas ligações muda o que você faz no treino. Em vez de sair da aula com uma técnica nova solta, você sai perguntando onde ela entra e o que acontece quando falha. É a diferença entre colecionar movimento e construir jogo, e é o que o teste de guardeiro ou passador começa a responder sobre o seu estilo. Também muda a conversa sobre graduação: ninguém sobe de faixa por saber muitos nomes, sobe quem impõe uma sequência em alguém que resiste. A IBJJF não fixa tempo mínimo na faixa branca justamente porque esse critério é do professor, e o artigo sobre quanto tempo leva para pegar a faixa azul detalha o que pesa nessa decisão.

Se quiser ver isso desenhado em vez de escrito, monte a sequência das vinte no editor visual do GamePlan BJJ. Cada nó puxa o vídeo da técnica automaticamente do catálogo organizado por faixa, então você estuda a lista inteira sem caçar vídeo solto, e enxerga na hora quais nós do seu mapa ainda não têm saída. Leve as dúvidas que aparecerem para o seu professor: o mapa mostra o buraco, o tatame ensina a fechá-lo.

Perguntas frequentes

Quantas técnicas tem o jiu-jitsu?
Não existe número oficial. Nem a IBJJF nem a CBJJ publicam catálogo fechado, e cada academia nomeia variações de forma diferente. A única lista oficial fechada é a de golpes restritos, com 26 técnicas divididas por idade e faixa. Na prática, para a faixa branca, cerca de vinte movimentos bem conectados cobrem o necessário até a azul.

Quais são as principais técnicas de jiu-jitsu para iniciantes?
As cinco fugas (upa, fuga de quadril, recomposição do cem quilos, fuga das costas e fuga do joelho na barriga), as quatro posições de controle (guarda fechada, cem quilos, montada e costas), as quatro raspagens (tesoura, quadril, gancho e tripé), as três passagens (toureada, corte de joelho e passagem por baixo) e as quatro finalizações (armlock, triângulo, americana e mata-leão). A ordem importa: defesa antes de ataque.

Quais finalizações o faixa branca pode usar em competição?
Pelo pôster oficial de golpes proibidos da IBJJF/CBJJ, a faixa branca adulta pode aplicar armlock, triângulo, americana, kimura, mata-leão, estrangulamentos de gola, omoplata, ezequiel, gravata técnica de frente e chave de pé reta. Ficam proibidas todas as demais chaves de perna, a mão de vaca, a chave de bíceps, a chave de panturrilha, a chave de cervical sem estrangulamento e as quedas de impacto como bate estaca e suplex de cabeça.

Existe uma lista de técnicas de jiu-jitsu em PDF?
Não em versão oficial. Os PDFs publicados pela federação são o Livro de Regras da IBJJF, o pôster de golpes proibidos e o Sistema Geral de Graduação, todos em português na área de regras da CBJJ. Catálogo de técnicas não existe como documento oficial, e uma lista estática envelhece rápido porque não registra as ligações entre os movimentos.

Quanto tempo o faixa branca leva para passar para a azul?
O Sistema Geral de Graduação da IBJJF não estabelece tempo mínimo de permanência na faixa branca para atletas a partir dos 16 anos. A idade mínima para receber a azul é 16 anos, e a branca é dividida em faixa lisa mais quatro graus. A decisão de graduar é do professor.

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